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Música no Cinema



Prof. Wagner Montanhini

A música desempenha um papel fundamental no cinema, servindo como um elemento essencial que enriquece a narrativa e intensifica a experiência emocional do espectador. Desde os primórdios do cinema, a trilha sonora tem sido utilizada para estabelecer atmosferas, evocar sentimentos e guiar a percepção do público sobre a história em desenvolvimento.

Funções da Música no Cinema

  1. Criação de Atmosfera: A música ajuda a construir a ambientação de uma cena, transportando o espectador para diferentes épocas e lugares. Composições cuidadosamente escolhidas podem definir o tom de um filme, seja ele dramático, romântico, de suspense ou de comédia.
  2. Evocação de Emoções: A música tem uma capacidade inata de evocar emoções. Uma cena de ação pode ser intensificada por uma trilha sonora rápida e enérgica, enquanto uma cena romântica pode ser acentuada por uma melodia suave e melancólica. A música não apenas complementa as imagens, mas também amplifica a resposta emocional do público.
  3. Narrativa Musical: A música pode atuar como um elemento narrativo por si só, ajudando a contar a história. Compositores como Bernard Herrmann e Ennio Morricone são conhecidos por suas trilhas sonoras que não apenas acompanham a ação, mas também comunicam aspectos da narrativa e dos personagens.
  4. Sincronização e Efeito Sinestésico: A combinação de som e imagem cria uma experiência sinestésica, onde os sentidos se entrelaçam. A música pode moldar a percepção do tempo e do espaço na tela, influenciando como o espectador interpreta as ações e reações dos personagens.
  5. Estabelecimento de Identidade Cultural: A música no cinema também pode refletir e celebrar a identidade cultural. Filmes que incorporam tradições musicais locais ou folclóricas ajudam a criar uma conexão mais profunda com a cultura representada, como visto em produções que utilizam música tradicional brasileira ou africana.

Evolução da Música no Cinema

Desde o cinema mudo, onde a música ao vivo acompanhava as exibições, até as trilhas sonoras sofisticadas de hoje, a música evoluiu em paralelo com a tecnologia cinematográfica. A introdução do som sincronizado nos anos 1920 revolucionou a forma como a música era utilizada, permitindo que diálogos e trilhas sonoras fossem integrados de maneira mais coesa.

Conclusão

A música no cinema é muito mais do que um mero acompanhamento; ela é uma parte integrante da linguagem cinematográfica. Através da criação de atmosferas, da evocação de emoções e da contribuição para a narrativa, a trilha sonora desempenha um papel crucial na forma como os filmes são percebidos e apreciados. Ao assistir a um filme, prestar atenção à música pode revelar camadas adicionais de significado e emoção, transformando a experiência cinematográfica em algo verdadeiramente memorável.


A música está presente nas telas desde o cinema mudo. Durante a exibição do filme, era comum que um pianista tocasse a música de fundo ao vivo. Às vezes, grupos maiores também faziam essa função (Villa-Lobos, por exemplo, quando jovem, tocava em orquestras de cinema para ajudar no sustento da família).

Com o advento do cinema falado, surge o conceito de trilha sonora, com a música seguindo o roteiro do filme, realçando a atmosfera de cada cena: momentos românticos, tristes, cômicos e assim por diante.

Aparecem, então, os compositores de música para cinema. Entre os mais conhecidos, podemos citar Leonard Bernstein, Nino Rota, John Williams, Ennio Morricone, Vangelis e Henry Mancini.

A música clássica também é muito utilizada em trilhas sonoras, como podemos ver na lista de filmes a seguir. As que estão grifadas já possuem posts dedicados no site, é só clicar para acessar:

 

– Música composta especialmente para filmes:

Entre os compositores pioneiros estão: 

Erich Korngold: inicialmente escrevia música clássica, mas o compositor austríaco teve de se mudar para os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, tornando-se um dos primeiros a compor música para o cinema, como para o filme The Adventures of Robin Hood, de 1938, entre outros;

Dmitri Shostakovich: o compositor russo escreveu sua primeira trilha para o filme mudo A Nova Babilônia, de 1929. Posteriormente, compôs para mais de trinta filmes, até 1970. O filme de maior sucesso foi Ovod, de 1955.

Aaron Copland: o norte-americano escreveu a trilha de Of Mice and Men, de 1939, entre outros filmes.

A estes se seguiram outros compositores, como Sergei Prokofiev, Philip Glass e Arvo Pärt.

 

– Música clássica pré-existente em filmes:

É enorme o número de peças de música clássica usadas como trilha para o cinema. Eis alguns exemplos de reconhecidos diretores que as utilizaram em suas produções:

Ingmar Bergman (um dos diretores mais musicais):

– Gritos e Sussurros – Sarabanda da Suíte para Violoncelo nº 5, BWV 1011, de Johann Sebastian Bach;

– Fanny e Alexander – Quinteto, Op. 44, de Robert Schumann;

– Através de um Espelho – Sarabanda da Suíte para Violoncelo nº 2, BWV 1008, de Bach;

 Sonata de Outono – Prelúdio nº 2 em Lá Menor de Chopin; Sarabanda da Suíte para Violoncelo nº 4, BWV 1010, de Bach.

Louis Malle 

– Le Feu Follet (Fogo Fátuo | Trinta anos esta noite) – de Erik Satie, Gymnopedies nºs 1, 2 e 3, e Gnossiennes nºs 1, 2 e 3;

– Amantes ­– Sexteto nº 1, Op.18, de Brahms.

Luchino Visconti

– Vagas Estrelas da Ursa – Prelúdio, Coral e Fuga, de César Franck;

 Morte em Veneza – de Gustav MahlerAdagietto da Sinfonia nº 5 e trechos da Sinfonia nº 3.

Francis Ford Coppola

– Apocalipse Now – A Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner.

Lars von Trier

– Melancolia – Prelúdio da ópera Tristão e Isolda, de Wagner.

Stanley Kubrick

 Barry Lyndon – destaque para o Trio nº 2, Op. 100, de Franz Schubert, além de várias peças de Bach, Georg Friedrich Händel e Antonio Vivaldi;

– A Laranja Mecânica – Pompa e Circunstância, de Edward Elgar; Música para o Funeral da Rainha Mary, de Henry Purcell; coral da Nona Sinfonia, de Ludwig van Beethoven (adaptação);

 2001: Uma Odisseia no Espaço – Assim falou Zaratustra, de Richard Strauss, e a valsa Danúbio Azul, de Johann Strauss.

Andrei Tarkovsky

– Solaris – de Bach, Variações Goldberg, BWV 988 (Variação 15); Prelúdio Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ, BWV 639;

– O Sacrifício – de Bach, a Ária Erbarme dich mein Gott, BWV 244e a Canção Komm süsser Tod, BWV 478;

– Nostalgia – Prelúdio e Fuga nº 8, do Cravo Bem Temperado, Livro 1, BWV 853,de Bach; trecho final da Nona Sinfonia de Beethoven.

Walt Disney

– Fantasia – coleção de desenhos animados acompanhados de peças clássicas. Leopold Stokowski rege a Orquestra da Filadélfia. Entre as obras tocadas estão a Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky; a Sinfonia Pastoral, de Beethoven; e a Suíte Quebra-Nozes, de Pyotr Ilyich Tchaikovsky.

 

Para conhecer mais sobre o assunto, existem várias compilações de obras clássicas usadas no cinema, classificadas por compositores ou filmes, como por exemplo:

Classical Music in Films – a Listing by composers:

http://www.allegro-c.de/formate/cmm.htm

Naxos: Classical Music in Movies:

https://www.naxos.com/musicinmovies.asp

 FONTES: https://classicosdosclassicos.mus.br/musica-no-cinema/

PROPRIO AUTOR


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