Música no Cinema
Funções da Música no Cinema
- Criação de Atmosfera: A música ajuda a construir a ambientação de uma cena, transportando o espectador para diferentes épocas e lugares. Composições cuidadosamente escolhidas podem definir o tom de um filme, seja ele dramático, romântico, de suspense ou de comédia.
- Evocação de Emoções: A música tem uma capacidade inata de evocar emoções. Uma cena de ação pode ser intensificada por uma trilha sonora rápida e enérgica, enquanto uma cena romântica pode ser acentuada por uma melodia suave e melancólica. A música não apenas complementa as imagens, mas também amplifica a resposta emocional do público.
- Narrativa Musical: A música pode atuar como um elemento narrativo por si só, ajudando a contar a história. Compositores como Bernard Herrmann e Ennio Morricone são conhecidos por suas trilhas sonoras que não apenas acompanham a ação, mas também comunicam aspectos da narrativa e dos personagens.
- Sincronização e Efeito Sinestésico: A combinação de som e imagem cria uma experiência sinestésica, onde os sentidos se entrelaçam. A música pode moldar a percepção do tempo e do espaço na tela, influenciando como o espectador interpreta as ações e reações dos personagens.
- Estabelecimento de Identidade Cultural: A música no cinema também pode refletir e celebrar a identidade cultural. Filmes que incorporam tradições musicais locais ou folclóricas ajudam a criar uma conexão mais profunda com a cultura representada, como visto em produções que utilizam música tradicional brasileira ou africana.
Evolução da Música no Cinema
Desde o cinema mudo, onde a música ao vivo acompanhava as exibições, até as trilhas sonoras sofisticadas de hoje, a música evoluiu em paralelo com a tecnologia cinematográfica. A introdução do som sincronizado nos anos 1920 revolucionou a forma como a música era utilizada, permitindo que diálogos e trilhas sonoras fossem integrados de maneira mais coesa.Conclusão
A música no cinema é muito mais do que um mero acompanhamento; ela é uma parte integrante da linguagem cinematográfica. Através da criação de atmosferas, da evocação de emoções e da contribuição para a narrativa, a trilha sonora desempenha um papel crucial na forma como os filmes são percebidos e apreciados. Ao assistir a um filme, prestar atenção à música pode revelar camadas adicionais de significado e emoção, transformando a experiência cinematográfica em algo verdadeiramente memorável.A música está presente nas telas desde o cinema mudo. Durante a exibição do filme, era comum que um pianista tocasse a música de fundo ao vivo. Às vezes, grupos maiores também faziam essa função (Villa-Lobos, por exemplo, quando jovem, tocava em orquestras de cinema para ajudar no sustento da família).
Com o advento do cinema falado, surge o conceito de trilha sonora, com a música seguindo o roteiro do filme, realçando a atmosfera de cada cena: momentos românticos, tristes, cômicos e assim por diante.
Aparecem, então, os compositores de música para cinema. Entre os mais conhecidos, podemos citar Leonard Bernstein, Nino Rota, John Williams, Ennio Morricone, Vangelis e Henry Mancini.
A música clássica também é muito utilizada em trilhas sonoras, como podemos ver na lista de filmes a seguir. As que estão grifadas já possuem posts dedicados no site, é só clicar para acessar:
– Música composta especialmente para filmes:
Entre os compositores pioneiros estão:
Erich Korngold: inicialmente escrevia música clássica, mas o compositor austríaco teve de se mudar para os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, tornando-se um dos primeiros a compor música para o cinema, como para o filme The Adventures of Robin Hood, de 1938, entre outros;
Dmitri Shostakovich: o compositor russo escreveu sua primeira trilha para o filme mudo A Nova Babilônia, de 1929. Posteriormente, compôs para mais de trinta filmes, até 1970. O filme de maior sucesso foi Ovod, de 1955.
Aaron Copland: o norte-americano escreveu a trilha de Of Mice and Men, de 1939, entre outros filmes.
A estes se seguiram outros compositores, como Sergei Prokofiev, Philip Glass e Arvo Pärt.
– Música clássica pré-existente em filmes:
É enorme o número de peças de música clássica usadas como trilha para o cinema. Eis alguns exemplos de reconhecidos diretores que as utilizaram em suas produções:
Ingmar Bergman (um dos diretores mais musicais):
– Gritos e Sussurros – Sarabanda da Suíte para Violoncelo nº 5, BWV 1011, de Johann Sebastian Bach;
– Fanny e Alexander – Quinteto, Op. 44, de Robert Schumann;
– Através de um Espelho – Sarabanda da Suíte para Violoncelo nº 2, BWV 1008, de Bach;
– Sonata de Outono – Prelúdio nº 2 em Lá Menor de Chopin; Sarabanda da Suíte para Violoncelo nº 4, BWV 1010, de Bach.
Louis Malle
– Le Feu Follet (Fogo Fátuo | Trinta anos esta noite) – de Erik Satie, Gymnopedies nºs 1, 2 e 3, e Gnossiennes nºs 1, 2 e 3;
– Amantes – Sexteto nº 1, Op.18, de Brahms.
Luchino Visconti
– Vagas Estrelas da Ursa – Prelúdio, Coral e Fuga, de César Franck;
– Morte em Veneza – de Gustav Mahler, Adagietto da Sinfonia nº 5 e trechos da Sinfonia nº 3.
Francis Ford Coppola
– Apocalipse Now – A Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner.
Lars von Trier
– Melancolia – Prelúdio da ópera Tristão e Isolda, de Wagner.
Stanley Kubrick
– Barry Lyndon – destaque para o Trio nº 2, Op. 100, de Franz Schubert, além de várias peças de Bach, Georg Friedrich Händel e Antonio Vivaldi;
– A Laranja Mecânica – Pompa e Circunstância, de Edward Elgar; Música para o Funeral da Rainha Mary, de Henry Purcell; coral da Nona Sinfonia, de Ludwig van Beethoven (adaptação);
– 2001: Uma Odisseia no Espaço – Assim falou Zaratustra, de Richard Strauss, e a valsa Danúbio Azul, de Johann Strauss.
Andrei Tarkovsky
– Solaris – de Bach, Variações Goldberg, BWV 988 (Variação 15); Prelúdio Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ, BWV 639;
– O Sacrifício – de Bach, a Ária Erbarme dich mein Gott, BWV 244, e a Canção Komm süsser Tod, BWV 478;
– Nostalgia – Prelúdio e Fuga nº 8, do Cravo Bem Temperado, Livro 1, BWV 853,de Bach; trecho final da Nona Sinfonia de Beethoven.
Walt Disney
– Fantasia – coleção de desenhos animados acompanhados de peças clássicas. Leopold Stokowski rege a Orquestra da Filadélfia. Entre as obras tocadas estão a Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky; a Sinfonia Pastoral, de Beethoven; e a Suíte Quebra-Nozes, de Pyotr Ilyich Tchaikovsky.
Para conhecer mais sobre o assunto, existem várias compilações de obras clássicas usadas no cinema, classificadas por compositores ou filmes, como por exemplo:
Classical Music in Films – a Listing by composers:
http://www.allegro-c.de/formate/cmm.htm
Naxos: Classical Music in Movies:
https://www.naxos.com/musicinmovies.asp
FONTES: https://classicosdosclassicos.mus.br/musica-no-cinema/
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